quinta-feira, 12 de julho de 2012

Nosso ensino médio - Parte I


Ipuã possui três escolas com ensino médio, sendo que, duas delas são particulares e uma estadual. Além destas, possui mais quatro escolas municipais com ensino fundamental.
A transição do ensino fundamental para o ensino médio é sempre uma questão de discussão, pois muitos pais não aceitam o fato de seus filhos irem para a escola estadual e muita das vezes, não têm condições de bancar o estudo em uma particular. Logo, nasce em Ipuã algo que vem se tornando tradição entre os concluintes do 9º ano do fundamental: prestar a prova para ingressar na ETEC em São Joaquim da Barra.
Todos os anos, a quantidade de alunos que saem de Ipuã na esperança de estudarem na ETEC é enorme, chegando a ser assustadora, principalmente pelo fato de termos três escolas oferecendo o mesmo ensino aqui, e nossos queridos alunos, indo buscar fora.
Então, surge a questão: por que buscar fora o que oferecemos dentro de casa?
A resposta é simples: grande parte da população busca para si um ensino de melhor qualidade possível, e mais que isso, ensino gratuito. A grande vantagem das ETECs, em relação às outras entidades de ensino público, é que seus alunos são selecionados por "vestibulinhos". A ETEC de nossa cidade vizinha recebe alunos de toda região, e por ano, 120 novas vagas são abertas, ou seja, teoricamente os 120 melhores alunos da região ingressam todos os anos.
Para aqueles alunos que não conseguiram tal aprovação, resta aos pais (aqueles que não querem seus filhos na rede estadual) matricularem seus alunos na rede particular, o que representa a minoria da população. A rede privada de ensino médio vem dominando os vestibulares mais concorridos do país, e de fato, é aquela que, segundo os números, apresenta o domínio total na qualidade de ensino. Mas os níveis salariais da maioria da população, ou então, a quantidade de filhos por família, os impedem de poderem bancar o ensino dos filhos nessa fase.
Onde está o erro de tudo isso? De fato, a rede estadual perdeu um pouco de sua credibilidade com a população, fazendo que os pais procurem outras alternativas de ensino para seus filhos, mostrando a indignação com a atual situação do nosso sistema de ensino.
Como professor, já trabalhei em ambas, tanto na pública quanto na particular, e sei a diferença que possuímos, me tornando também mais um que torce por uma melhoria em nosso sistema público de educação. Tamanho declínio pode ser caracterizado por diversos fatores, dentre eles, o próprio governo, os alunos, a família, os professores, mas, de uma maneira geral, deve-se ao sistema (na minha humilde opinião) o descontrole de tudo.
O que poderíamos fazer então? Acho que, particularmente muito pouco, mas alguns tópicos poderiam ser vistos com mais atenção:

- Voto consciente em pessoas que possam demonstrar algum tipo de renovação quanto à educação do país;
Realmente, sei que não é fácil saber quem é ou não capaz de receber tal tarefa.

- Participação mais ativa da família na educação de seus filhos;
Já participei de reuniões absurdas em quem apareceram 5 pais dentre os 45 que deveriam estar presentes. Já presenciei até o fato da escola estar premiando a sala em que trouxesse maior número de pais para a reunião. Lamentável.

- Maior reconhecimento profissional e salarial dos professores;
A profissão realmente precisa ser mais reconhecida, pois ninguém mais quer ser professor. Basta olhar a concorrência no vestibular quanto aos cursos para professores. Além do mais, várias faculdades particulares da região vêm fechando diversos cursos de formação para professores devido à falta de procura.

- Maiores cobranças e punições para os alunos;
A acomodação dos alunos hoje é monstruosa, basta analisar o nível em que muitos de nossos alunos estão chegando no ensino médio. Será que não é isso que o governo quer?

Realmente, a situação da educação brasileira é alarmante. Algo precisa ser feito, e logo. E o que penso para Ipuã quanto à isso, postarei aqui em breve.

4 comentários:

  1. Permita-me João Paulo, partilho de várias opiniões que você citou no post, e acredito que grandes soluções só ocorrerão a longo prazo. Contudo alguma iniciativas mais simples podem ter uma melhoria imediata, como o cumprimento do papel da escola com os pais com maior rigor e prontidão envolvendo inclusive as autoridades se necessário, a melhoria na disposição dos professores para trabalhar com as dificuldades encontradas se preparando melhor e oferecendo aulas de melhor quantidade aos alunos despertando seu interesse e potencial, e POR FAVOR TODOS OS ELEITORES ESCOLHAM NÃO OS SEUS AMIGOS PARA VOTAR, PESQUISEM OS HISTÓRICOS DE VIDA DE SEUS CANDIDATOS E VERIFIQUEM SE CORRESPONDEM AS SUAS EXPECTATIVAS PARA A EDUCAÇÃO E PARA A SUA CIDADE, VAMOS VOTAR DIREITO, QUER MELHORAR, ENTÃO FAZ ESTE ESFORÇO AGORA !
    Abraços

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  2. O grande dilema, a educação. Eu percebo que todas as decisões dos políticos em relação a Educação são a medio e a longo prazo.
    Assim eles querem que o próximo resolva, e o proximo idem. Fácil resolver nossa educação deste jeito.

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  3. Grande João,
    Na minha humilde opinião o problema começa com a ausência de identidade dos pais com a escola. Acabou-se a história do filho estudar na mesma escola que o pai estudou. O domínio da indisciplina deve ser restaurado pela identidade que o aluno deve ter com o seu ambiente escolar. O aluno precisa ganhar tarefas junto à instituição de ensino, precisa se vangloriar de participar de uma equipe de estudo para olimpíadas de matemática, um time de futebol concorrendo a um campeonato interescolar, um grupo de dança, um grupo de teatro, um laboratório de arte, de ser reconhecido pelos professores com um potencial enorme. Pois bem, acredito em soluções a médio prazo, uma delas ao meu ver escancarada pelo modelo norte americana. A formação de identidade foi a solução dos EUA para retomar o estado a quo das escolas dominadas pela irresponsabilidade do governo (gangues, indisciplina, desmotivação). Hoje, o aluno do reduto “Bronks” possui orgulho de sua escola, pois passaram a ter identidade, passaram a ter o orgulho de vestir agasalhos, uniformes, ou mesmo estufar “Eu estudei aqui!”, este foi o meu trampolim para o futuro.

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  4. Bom , eu sou de uma outra época,em que alunos da rede publica, não tinham nenhuma chance mesmo de entrar em uma universidade pública, nos restavam apenas a Faculdade de Franca e Ituverava que era mais fácil passar no vestibular,
    aluno na minha época que entrava em faculdade publica eram os q estudavam na FEAM COC Hj muitos dos professores daquela minha epoca estão em Ipuã dando aula na rede privada,Feliz do aluno de hj que tem a sorte te ter uma escola publica e de qualidade mesmo que ela seja em São Joaquim da Barra, eles terão mais sorte em faculdade e nao terão que pagar por isto.Agora quanto a debandada de alunos sera que a falência da escola nao esta na falta de preparo de muitos profissionais? na desmotivação de varios outros? sei que não é facil,mais a mudança tem q começar na preparação basica, ninguem abandonaria a cidade se os estudantes tivessem muito preparo, mais motivaçao e nomes de alguns deles nas listas de aprovados nos vestibulares publicos , ESTA MINHA SINGELA OPINIAO.

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