sexta-feira, 30 de agosto de 2013

“Miss Curtida”

Uma mera opinião pessoal sobre o novo Concurso da Rainha da Expuã 2013.

Durante muitos anos, na época do aniversário de Ipuã, ocorria o desfile para a escolha da “Miss Ipuã” e também do “Gato Ipuã”. Sonho de muitas garotas, ser escolhida para desfilar era com certeza, um dos momentos de maior alegria de qualquer adolescente, em busca do título de: A mais bela garota da cidade.
Esse desfile era um evento já tradicional, que fazia parte do mês do aniversário de nossa cidade, onde muitas vezes diversas lojas e boutiques patrocinavam as candidatas e candidatos, aproveitando o momento para divulgar seus nomes. A Miss Ipuã e as respectivas 1ª e 2ª Princesas recebiam também o título de Rainha e Princesas da Festa do Peão, que ocorre todos os anos em setembro.
Pois que esse ano, a exemplo do ano passado, não foi realizado tal desfile.
Quando todos imaginavam que não haveria uma Rainha do Rodeio de 2013, surge na internet o Concurso para escolha da Rainha da Expuã 2013.
Utilizando-se da rede de relacionamentos, o concurso seria realizado através do Facebook, e a contagem de votos seria por meio de “Curtis” que cada candidata receberia em sua foto.
As garotas escolhidas foram então jogadas aos leões. O que se viu foi uma corrida interminável através de votos (curtidas), pois as três fotos mais curtidas seriam nomeadas Rainha, 1ª e 2ª Princesas da Expuã respectivamente. Familiares, amigos, namorados e todas as pessoas que poderiam se envolver, passaram dias, noites e madrugadas enviando pedidos para curtirem as fotos em perfis e grupos, promovendo uma disputa que, em minha opinião, foge daquilo que se pode considerar um concurso de Miss.
Discussões em relação ao número de votos foram surgindo, causando transtorno e provocando a desistência de muitas candidatas, deixando uma imagem ruim a essa opção de concurso adotada pelos organizadores.
Pois bem, já não há mais o que fazer. O concurso se aproxima de sua conclusão e logo conheceremos a Rainha da Expuã 2013. Mas vejo que essa nova maneira de se escolher a garota mais bela, não foi de agrado geral.
Culpados?
Não podemos culpar as candidatas pelo ocorrido, pois foram escolhidas, e acredito que não imaginavam o transtorno que um concurso realizado de tal maneira pudesse causar.
Não sabemos ao certo quais os motivos da não realização do desfile, mas acredito que a realização por meio do Facebook foi uma opção equivocada. Esse site trata-se de uma rede social, logo, pessoas estão interligadas direta ou indiretamente e assim, quanto maior for a rede de amigos de uma pessoa, ou de seus contatos, maiores serão as chances de votos. Torna-se então mais um concurso de popularidade do que um concurso de beleza e simpatia. Se a solução era utilizar a internet, então acredito que o uso de sites, onde o voto só pudesse ser realizado através de cadastros (inclusive documentos pessoais), tornaria a votação menos polêmica e mais profissional.
Todas as candidatas que ali estão merecem vencer, mas não mereciam passar pelo que estão passando (pelo menos é o que vemos em seus depoimentos na internet).
Para o próximo ano, espero que a comissão organizadora possa repensar a organização de um desfile, como sempre foi feito, evitando problemas desagradáveis como os vistos esse ano.
Nas palavras do grande ídolo:
“No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz.”

(Ayrton Senna da Silva)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Água da fonte

Se o problema foi resolvido, desconsiderem a reivindicação.

As praças são sempre locais especiais em todas as cidades. Ideal para levar os filhos para brincar, para encontrar os amigos, começar um namoro ou então namorar, passear, tomar um sorvete, descansar. É um local sempre visto como referência. Assim sendo, cada praça em cada cidade que você visitar terá sua particularidade.
Antes da reforma, a nossa Praça Matriz possuía como uma de suas características principais a vegetação. Muitas árvores e arbustos contribuíam para um verde contagiante e calmo, que mantinha pessoas embaixo de cada sombra que ali existia. Até mesmo as árvores eram famosas por sua idade ou tamanho. Lembro-me de visitas que fazíamos na época da Pré-Escola para abraçar e tirar fotos com aquelas eternas moradoras da Praça Matriz.
A reforma foi feita, a reformulação do jardim também. A praça ganhou outro ambiente, mais iluminado, com menos sombras, e a novíssima fonte.
Adorada por muitos e criticada por outros, passamos por um processo de transformação em um dos corações de Ipuã, que voltou a receber a população nos finais de semana, pois houve uma época que não se viam mais pessoas naquele local nas noites de sábado ou domingo.
O atual problema é que a novidade desse ponto, a fonte, vem deixando a desejar em relação à sua maior característica: a água.
Não foram poucas às vezes em que passamos pela praça e vimos uma quantidade enorme de água escorrendo ao redor da fonte, molhando totalmente o chão ao seu redor.
É natural que uma fonte como aquela deixe que um pouco de sua água saia e molhe o chão, mas o que vem acontecendo acredito que esteja um pouco fora de controle em relação à esta “água que vaza”.
Porém, o problema não se resume somente à fonte de nossa Praça Matriz, como também àquela localizada em frente à nossa Câmara Municipal. Dias atrás, eu vinha passando de carro à noite por aquela praça quando notei que fonte estava ligada e a água estava espalhada não só pela praça, como também pela rua que a contornava. Não teria como parar o carro para caminhar por ali sem que molhasse completamente os pés.
Ou seja, aquilo que foi feito para enfeitar e tornar o ambiente totalmente agradável, vem causando alguns transtornos, o que poderia ser melhorado para o bem da praça e de quem a visita.

Se a fonte foi ou não a melhor opção para aqueles locais, fica a critério de cada um decidir, mas como ela foi feita e está lá, melhor mantê-la funcionando bem.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ser taxado de...

- Bom dia alunos! Gostaria de lhes apresentar seu novo professor de física.
- De onde você é professor?
- Sou de Ipuã.
- Ah! Você é índio!
- ...

Uma brincadeira mais do que normal. Ao ser apresentado nas escolas onde começo a trabalhar em outras cidades, é natural ouvir comentários do tipo. Motivo? Nas cidades que nos cercam, somos conhecidos como “índios”. Ainda mais por alunos, que não perdem a oportunidade de sacanear o professor, não são raros comentários como “Professor, você tem ar-condicionado na sua oca?” ou então “já chegou internet lá em Ipuã?”, ou “Vocês caçam na hora do almoço?”
Como bom entendedor de brincadeiras, entro no jogo deles muitas vezes e tornamos isso uma brincadeira saudável, mas gostaria de exaltar as várias “famas” que nossa população possui.
O povo ipuanense tem fama de ser festeiro, e isso eu acredito ser uma verdade. Conversando com amigos da nossa vizinha São Joaquim da Barra certa vez, fiz um pequeno relatório das festas que temos aqui, e os vi ficarem surpreendidos, comentando coisas do tipo “Quem me dera se aqui fosse assim também”. Bom ou ruim, temos essa característica a nosso favor.
Já ouvi de muitos amigos, agora residentes aqui, que Ipuã é uma cidade acolhedora. Inúmeras vezes, não só aqui como em outras cidades da região, ouvi muitos elogios em relação à hospitalidade de nossa cidade. Quem vem aqui, com certeza deixa amigos.
Ipuanense bebe muito! Essa é tradicional. Nosso povo é fã de uma festa, reunião ou confraternização banhada à bebida. Que digam os entregadores de cerveja, que rodam as madrugadas abastecendo os aniversários, churrascos e festinhas. Não tenho certeza da época nem da revista, mas certa vez me lembro de uma reportagem que mostrava que Ipuã era uma das cidades onde mais se consumia bebida alcoólica proporcionalmente ao número de habitantes. Sendo essa uma boa ou uma má fama, fica a critério de cada um decidir.
Somos apaixonados por política. Não digo em relação a assistir programas políticos na televisão ou sentar em praças para discutir o futuro político de Ipuã (pelo menos não a maioria de nós), mas basta chegar o ano da eleição para ver a transformação que ocorre aqui. Mais uma vez, não foram poucas às vezes em que ouvi pessoas de outras cidades comentando sobre o ambiente que cerca nossa política, principalmente durante os meses que antecedem a eleição.
Povo alegre e extrovertido. Em rodas de conversas em outras cidades, basta fazer qualquer comentário pra ouvir a expressão “só podia ser de Ipuã mesmo.”
Tenho certeza que somos taxados de muitas outras coisas que talvez ainda não tenha ouvido. Apesar das infinitas diferenças que uma população venha a possuir, eu vejo que as cidades possuem o poder de criar e manter características comuns entre as pessoas. Ipuã é assim, ela faz de nós pessoas com características únicas. Onde quer que você vá, tem sempre alguém que conhece a nossa cidade, ou que já tenha passado por aqui. No interior, nos grandes centros, no litoral, há sempre um pedaço nosso plantado ali. Ser ipuanense é parte do que somos do momento em que nascemos até o nosso último segundo de vida.

E você? Já ouviu sobre o que somos taxados?