domingo, 7 de maio de 2017

A derrota de um time que venceu

As ruas estavam vazias. Estavam silenciosas.
Faltava o verde e amarelo pintados nos chãos, carros e casas, pois parecia uma final de copa do mundo. Nos bares, lojas e mercados, todos os olhos estavam direcionados para a televisão. Todos hipnotizados com aquele jogo. Minhas mãos e pés estavam gelados. Não consegui me segurar no sofá, assisti praticamente todo o jogo no chão da sala. Poucas vezes me lembro de estar tão nervoso ou ansioso ao assistir uma partida.
Era a nossa atual realidade. Nossa cidade estava sendo representada em uma final de campeonato, mais que isso, ao vivo. Ver o nome tão repetidamente anunciado na televisão, assistir a escalação dos garotos com suas fotos mostradas antes do jogo, trouxe sentimentos nunca antes percebidos por essa população. O peso de quase dezesseis mil habitantes sobre os ombros de 5 garotos em quadra.
O assunto em qualquer lugar, pré, durante e pós jogo era o mesmo. Após o apito final, a sensação também era a mesma em todos, “injustiça”. Baixamos o rosto, lamentamos aqueles gols não feitos, mas o sorriso no canto da boca de cada um era certo. Não nos decepcionaram, não deixaram de lutar, não demonstraram um só minuto a derrota. Perdemos sim, para um regulamento um tanto quanto questionável, a vantagem de um empate por “melhor campanha”, que fez com que o adversário fizesse totalmente o uso dele. O técnico deixou bem claro sua estratégia ao pedir tempo: queriam segurar o jogo e vencer pelo empate.
E como sofremos por isso. Aquela bola que insistia em não entrar. Trave, trave... por que insistes em atuar tão bem em um só jogo? Os gritos de gol saíram de nossas gargantas pelo menos umas quatro vezes, mas foi cruelmente substituído por lamentação ao ver a trave atuando. Ela foi praticamente o sexto jogador de nosso adversário. O apito final surgiu, e o título ficou para uma próxima.
Mas com certeza, esse time venceu.
Venceu o anonimato. Venceu as dificuldades impostas por uma sociedade que sofre por falta de investimento. Venceu o preconceito de pertencer a uma cidade desconhecida. E sabemos, mais do que nunca, o quanto vem vencendo há tempos. Nos representaram e venceram no sul, assim como fizeram na Itália e agora na taça EPTV. Talvez é chegada a hora de olhar com outros olhos para esta situação. Está mais do que na cara que temos uma cidade propícia ao sucesso neste esporte. Temos condições de vencer aquilo que nos for proposto. Este time, estes garotos são gente da nossa gente! Ao ver o narrador citar cada nome, eu me recordava de tantos ainda sentados na minha frente em suas cadeiras em sala de aula, e agora ali, praticamente celebridades do esporte. Não falta mais nada, estão prontos para representarem a cidade em qualquer que seja o campeonato.
Alguém, por favor, invista nestes garotos! Faça acontecer em Ipuã o que precisa acontecer!

Quanto à conclusão sobre a taça EPTV de futsal, nós batemos, LITERALMENTE, na trave. Mas de qualquer forma garotos, bem vindos de volta, à nova terra do Futsal.