As ruas estavam vazias. Estavam
silenciosas.
Faltava o verde e amarelo
pintados nos chãos, carros e casas, pois parecia uma final de copa do mundo.
Nos bares, lojas e mercados, todos os olhos estavam direcionados para a
televisão. Todos hipnotizados com aquele jogo. Minhas mãos e pés estavam
gelados. Não consegui me segurar no sofá, assisti praticamente todo o jogo no
chão da sala. Poucas vezes me lembro de estar tão nervoso ou ansioso ao
assistir uma partida.
Era a nossa atual realidade.
Nossa cidade estava sendo representada em uma final de campeonato, mais que
isso, ao vivo. Ver o nome tão repetidamente anunciado na televisão, assistir a
escalação dos garotos com suas fotos mostradas antes do jogo, trouxe
sentimentos nunca antes percebidos por essa população. O peso de quase
dezesseis mil habitantes sobre os ombros de 5 garotos em quadra.
O assunto em qualquer lugar, pré,
durante e pós jogo era o mesmo. Após o apito final, a sensação também era a mesma
em todos, “injustiça”. Baixamos o rosto, lamentamos aqueles gols não feitos,
mas o sorriso no canto da boca de cada um era certo. Não nos decepcionaram, não
deixaram de lutar, não demonstraram um só minuto a derrota. Perdemos sim, para
um regulamento um tanto quanto questionável, a vantagem de um empate por “melhor
campanha”, que fez com que o adversário fizesse totalmente o uso dele. O
técnico deixou bem claro sua estratégia ao pedir tempo: queriam segurar o jogo
e vencer pelo empate.
E como sofremos por isso. Aquela
bola que insistia em não entrar. Trave, trave... por que insistes em atuar tão
bem em um só jogo? Os gritos de gol saíram de nossas gargantas pelo menos umas
quatro vezes, mas foi cruelmente substituído por lamentação ao ver a trave
atuando. Ela foi praticamente o sexto jogador de nosso adversário. O apito
final surgiu, e o título ficou para uma próxima.
Mas com certeza, esse time
venceu.
Venceu o anonimato. Venceu as
dificuldades impostas por uma sociedade que sofre por falta de investimento.
Venceu o preconceito de pertencer a uma cidade desconhecida. E sabemos, mais do
que nunca, o quanto vem vencendo há tempos. Nos representaram e venceram no
sul, assim como fizeram na Itália e agora na taça EPTV. Talvez é chegada a hora
de olhar com outros olhos para esta situação. Está mais do que na cara que
temos uma cidade propícia ao sucesso neste esporte. Temos condições de vencer
aquilo que nos for proposto. Este time, estes garotos são gente da nossa gente!
Ao ver o narrador citar cada nome, eu me recordava de tantos ainda sentados na
minha frente em suas cadeiras em sala de aula, e agora ali, praticamente
celebridades do esporte. Não falta mais nada, estão prontos para representarem
a cidade em qualquer que seja o campeonato.
Alguém, por favor, invista nestes
garotos! Faça acontecer em Ipuã o que precisa acontecer!
Quanto à conclusão sobre a taça
EPTV de futsal, nós batemos, LITERALMENTE, na trave. Mas de qualquer forma
garotos, bem vindos de volta, à nova terra do Futsal.
Nossa Jão nem sabia q era blogueiro kkkk (Henrique aqui)
ResponderExcluirPois é... de tudo um pouco nessa vida
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