quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Água até quando?

Já passava das três da manhã quando acordei.
A janela semiaberta e o ventilador ligado ao máximo não eram suficientes para refrescar o quarto. A roupa de cama, agora encharcada pelo suor, dificultava ainda mais o sono, pois aquela madrugada parecia ser a mais quente que eu já havia visto. Me levantei, pois a sede era enorme, e acreditava que uns bons copos de água me ajudariam a pegar no sono novamente. Ao chegar na cozinha, me decepcionei ao ver que não saía sequer uma gota d’água do filtro, pois em minha casa, faço uso destes purificadores que são ligados diretamente ao encanamento. Me virei em direção à geladeira, e mais uma vez decepção, não havia nenhuma garrafa com água. Logo, abri a torneira ligada à caixa d’água e vi que uma pequena linha de água descia. Enchi o copo, e comecei a beber, mas a alta temperatura da água não me permitiu mais do que dois pequenos goles. Não sabia se aquela água quente estava matando ou aumentando mais a minha sede. Voltei para cama decepcionado, e com ainda mais sede.  Deitei novamente com duas novas, porém, tristes certezas: A primeira era que não conseguiria dormir aquele resto de madrugada e a segunda era que vinha pela frente mais um dia seco e quente.

A situação atual é realmente preocupante. Nos meus vinte e nove anos de vida, não me lembro de ver situação semelhante a esta.
A falta d’água não é um problema apenas em nossa cidade, mas sim, um problema nacional. Situação essa que já vinha sendo prevista há muito tempo, vem se tornando real a cada dia. Racionamentos de água e energia vem acontecendo em vários lugares, mostrando que é chegado o dia em que nosso bem mais precioso está acabando.
De nada adianta tentar encontrar culpados pontuais, indicar nomes, incriminar autoridades ou levantar suspeitos, quando de fato, sabemos quem são os principais responsáveis: nós mesmos.
Somos culpados por achar que a água é interminável. Culpados por ignorar campanhas de economia de água. Culpados por não acreditar que viveríamos dias em que a água acabaria. Culpados por não saber usar com consciência a água que chega até nossas casas. Culpados por não alertar o amigo ou o vizinho ao vê-lo desperdiçando a água da torneira.
O que precisamos agora é correr atrás do tempo perdido. Agora sim, cobrar de nossas autoridades punições aqueles que extrapolarem em relação ao uso da água. Denunciar, alertar, aconselhar, para que esse problema não se torne ainda pior com o passar do tempo.  Já podemos sentir as consequências da falta d’água, pois a economia de nossa cidade já vem sendo atingida, por exemplo, pelo aumento de funcionários dispensados de nossas usinas, que são um dos maiores empregadores de nossa cidade, devido à falta de chuva.
É triste ao caminhar pela cidade e ver calçadas sendo lavadas, janelas, portões, telhados e até mesmo ruas, onde aquela água poderia estar sendo usada para coisas realmente úteis. Ocorre que muitos pagam pela imprudência de poucos.

Sejamos vigilantes de nossa cidade. Lutemos por esse bem que tanto necessitamos, ou logo ficaremos sem ele. E claro, vamos torcer e rezar para chover, pois em horas como essas, talvez a fé seja uma das armas mais fortes em tempos de seca.

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