terça-feira, 10 de novembro de 2020

Por que tem que ser assim?

 

Quando um aluno ingressa em uma universidade, pública ou privada, o primeiro evento no qual ele deverá se submeter, é o trote. Na grande maioria, as cabeças são raspadas, fazem andar em filas de "elefantinhos", pintam seus corpos e rasgam suas roupas. Há também, aqueles mais rigorosos, onde os calouros são obrigados a servir seus veteranos durante um longo período, além de diversas exposições ao ridículo. Se esse aluno, questionar seu veterano, qual o motivo daquilo, provavelmente ele irá ouvir um "o bixo não tem direito". Se a conversa perdurar, ele poderá chegar a um "me deram esse trote quando entrei também". Se ainda persistir nos motivos, é provável que ele consiga ouvir um "eu, sinceramente não sei".

Hábitos, tradições, tendências que não possuem um sentido, e que infelizmente, apesar de muitas vezes alguns tentarem seguir por linhas diferentes, haverá sempre aquele tradicional grupo que manterá a tradição.

Na política, principalmente das cidades pequenas, é assim.

As campanhas que se arrastam ao longo dos anos possuem tradições que poucas vezes conseguem se desvincular: realizações de festas, churrascos e confraternizações, banhadas distribuição "gratuita" de bebidas e carnes. Carreatas organizadas, sempre em busca de números maiores de carros, bandeiras e adesivos. Conflitos pessoais e profissionais por esse ou aquele candidato. E agora, a infeliz "tradição" dos perfis falsos em redes sociais, que se apresentam com a aparente e única proposta de difamar e ofender a vida pessoal dos candidatos e as pessoas que se envolvem em sua campanha.

Trata-se de uma tradição. Difícil de quebrar, quase impossível de se extinguir. Basta que o período eleitoral se aproxime, para que os tais "fakes" sejam criados, e as discussões se iniciem. Basta acompanhar as discussões em bares, casas, e nas redes sociais, premeditando o período turbulento que se aproxima.

Candidatos, ou então, apoiadores se atacando. Criando notícias, implantando mentiras, promovendo discórdia, tudo em busca de uma vitória, como se aquilo fosse um jogo de futebol, onde quem ganhasse não fosse a torcida (que é realmente quem importa), mas o time.

Será que deveria ser assim? Será que não aprendemos nada ao decorrer de tantos anos de demonstração de notícias tão ruins quanto à política em nosso país? Qual o motivo de manter essa tradição? Seria necessária tanta maldade, de expor a vida pessoal ou então semear mentiras sobre tantas famílias que fazem parte desse meio? Uma vitória onde parte da conquista teve como pilar a implantação de uma notícia falsa, é realmente uma vitória?

Gostaria que refletissem, que pensassem no que está em jogo aqui: a vitória do partido, a vitória do prefeito, ou a vitória de uma cidade?

Você pretende votar no seu candidato, ou pretende votar em sua cidade?

Você está se preparando para caçoar daquele amigo que não votou no partido que venceu? Mas, caçoar não seria em relação ao time que perdeu? E ao meu ver, o time não seria a sua cidade? Então, qual motivo disso?

Você já tem em mente, após a divulgação do resultado, sair comemorando pelas ruas, gritando "vencemos"? Quem vencemos? O partido venceu? A cidade venceu? A população venceu? Ou um grupo venceu?

Em uma corrida pelo bem de um povo, a comemoração deveria ser de todos, e não apenas de um grupo, pois o que está em luta aqui não é apenas a nova era de algumas pessoas, mas de todos que vivem nesse mesmo lugar.