segunda-feira, 1 de julho de 2013

No hospital, na final.

Uma situação vivida por muitos, relatada mais uma vez.

Ontem era mais um dia daqueles, em que você conta nos dedos a hora de poder ver a final do campeonato. Estávamos deitados, curtindo aquele tradicional sono do domingo a tarde, quando ela acordou chorando. Não era normal vê-la acordar àquela hora, ainda mais chorando, logo nos chamou a atenção o fato.
Minha sogra a pegou no colo, quando vimos o choro se transformar em gritos, mostrando que realmente havia uma anormalidade ali. Nos levantamos, minha noiva e eu, para vermos o que estava acontecendo. A pobrezinha mostrava-se desinquieta, algo parecia doer muito, levava as mãos ao ouvido e os gritos aumentavam – deve ser dor de ouvido – e por não ter noção do que se tratava, levamos ela para o hospital.
Era mais ou menos duas e meia da tarde quando chegamos ao hospital. Havia ali umas três pessoas na nossa frente esperando pelo atendimento. A recepcionista pegou os dados dela, mediu sua temperatura, e nos pediu para aguardar, enquanto ela mantinha seus berros de dor. O pai dela chegou, me perguntou se ela havia melhorado ou se algum médico já havia aparecido, e minha resposta negativa o deixou nervoso. Questionamos as pessoas ali, se já estavam há muito tempo na espera. Uma moça, com duas crianças, provavelmente seus filhos, disse que sim, que já estava há um bom tempo, e que nenhum médico tinha aparecido. Ela continuava seu choro, seus gritos. Agora, mais pessoas, inclusive crianças, chegavam buscando atendimento, e os murmúrios de reclamação aumentavam cada vez mais.
Logo, o pai dela perdeu a paciência com a demora (que já atingia quase meia hora) sem ninguém para atender sua filha nem as pessoas que ali esperavam, e entrou sem ser chamado procurando o tal médico. Dava para ouvi-lo conversando em tom de voz alta com o médico, e quando voltou uma das pessoas que estavam sentadas, comentou “tem que fazer isso mesmo, senão ninguém vai ser atendido aqui” mostrando assim como ele, uma indignação com a situação.
Ao voltar, sua revolta era ainda maior. Veio até mim dizendo “João, o cara está lá dentro batendo papo, só pode estar de brincadeira comigo”.
Porém, coincidentemente, segundos após sua entrada, os pacientes começaram a ser chamados para o atendimento. Depois de mais uns cinco minutos, enfim nossa afilhada foi chamada, tomou a injeção necessária e minutos depois, encerraram seu choro e seus gritos.


Tenho certeza que situações assim não são comuns apenas aqui em nossa cidade, em nosso estado, ou em nosso país. O que passamos ontem, naquela angústia de esperar pelo atendimento, vendo a criança sofrendo, e ninguém aparecer para atendê-la fez pensar o quanto deve ser desesperadora a situação em que vemos pessoas nesses hospitais espalhados pelo Brasil, em filas intermináveis de espera, e médicos que parecem não dar conta de tantas emergências que surgem durante seus plantões.
Mas, para nós aqui, a demora foi mais do que uma situação em que não havia médicos suficientes, mas sim a ausência de tal médico mediante uma situação que, a princípio, mostrava ser de urgência. Descaso ou não, não éramos os únicos ali insatisfeitos, e com certeza, não foi uma situação isolada. Realmente, uma pena.
Nada melhor do que terminar com a frase que se tornou praticamente um lema da população: E vocês ainda acham que é pelos vinte centavos?

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Solução:
    1) Necessário abrir um protocolo de reclamações junto a unidade hospitalar, para aferir o número e o tipo de reclamação;
    2) Identificado o tipo de reclamação corriqueira, procurar uma solução, ou medidas imediatistas;
    3) Criar uma fiscalização esporádica junto aos atendimentos, para isso, aonde estão os vereadores que possuem uma ferramenta chamada "Requerimento",
    Para a População vítima:
    4) População deve comparecer junto a Câmara Municipal para pressionar os nobres Vereadores;
    5) Encaminhar um ofício à Prefeitura informando cada situação e exigir uma resposta, caso contrário, encaminhar as reclamações não respondidas ao Promotor de Justiça;

    ResponderExcluir
  3. obs.: o caso qual descrevi diz respeito a um acontecimento em outra cidade...

    ResponderExcluir