segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Comércio


Com a chegada do final de ano, a correria com notas, provas de recuperação, entrega de médias finais, trabalhos e tudo mais que envolvem a conclusão do ano letivo, nos leva a ter períodos trabalhosos. Hoje, por não ser diferente, fui obrigado a me deslocar até a vizinha São Joaquim da Barra por duas vezes, por conta de tais obrigações. Pela manhã, participei de alguns conselhos de classe que, embora não muito demorados, acabam por tomando conta de todo aquele período do dia. Já a noite, voltei a mesma escola para a organização de algumas provas, alguns assuntos pendentes e claro, uma pequena, porém mais que agradável confraternização com alguns amigos de trabalho.
Optando por não viajar sozinho, fui acompanhado de minha namorada, saindo de nossa cidade por volta das dezenove horas, enfrentando mesmo assim, apesar do horário, um calor quase que insuportável.
Ao encerrar minhas obrigações em tal escola, minha namorada e eu resolvemos por sair em São Joaquim da Barra para um pequeno passeio típico de fim de noite.
Para nossa surpresa, a cidade estava muito movimentada. Vagas para estacionar eram raridades para os muitos carros que transitavam por aquelas ruas do centro, todas as portas de comércio abertas e a praça central, obviamente, cheia. Além do mais, os enfeites de Natal abrilhantavam as árvores e os comércios ambulantes completavam o resto, deixando aquela uma noite mais movimentada do que os dias comuns de comércio na nossa vizinha São Joaquim.
O comércio de lá é realmente uma referência na região. Mais que isso, a organização nessa época é algo a se espelhar, onde a grande maioria das lojas adotam um horário especial ficando abertas até mais tarde, podendo atender a todos aqueles que não possuem um tempo hábil durante o dia e que já começam a se preparar para as festividades do fim de ano.
E não pensem que não havia movimento nas lojas. Eu não vi uma loja sequer sem que houvessem pessoas, mesmo que parada em frente as vitrines, mostrando assim que quando bem feito, as coisas conseguem fluir de uma maneira que agrada a todos. Olhando para todo aquele movimento, até me espantei ao olhar para minha namorada e lembrar que hoje ainda é segunda feira, e um movimento daqueles raramente se vê até mesmo em dias de maior fluxo de pessoas.
O cansaço bateu e resolvemos então voltar para Ipuã. Após deixá-la em casa e seguir para a minha, senti instantaneamente a diferença no “clima” em nossa cidade. A chuva, muito esperada, começava a cair, banhando de uma maneira mais que merecida as ruas e casas, gerando inúmeros comentários nas redes sociais e trazendo com ela um vento que há muito não se sentia, porém, o comércio não se mostrava com a mesma sensação de satisfação que São Joaquim me mostrou ou então a chuva me trouxe.
O espírito natalino parece não banhar nossa cidade há tempos, não se vê as pessoas respirarem esse ambiente que é tão mágico e tradicional, e pelo pouco que percebo, não consigo ver uma mobilização maior de nossa rede comercial. Na semana passada, ao passar em algumas lojas para compra de algumas roupas, o proprietário de uma delas me disse que até então nada havia sido dito ou então programado pelos comerciantes e que, se nada fosse dito, ele iria por si só, seguir o ritmo de nossa vizinha São Joaquim.
Ao meu ver, temos uma população crítica, em vários aspectos, pois mobilizações são vistas a todo momento, questionando e reivindicando direitos e deveres, porém, muitas vezes se sensibilizam por situações diversas e acabam se esquecendo de analisar fatos que podem melhorar a situação de nossa cidade. A internet, por exemplo, se tornou uma das maiores, senão a maior arma dos últimos tempos, e usá-la com bons propósitos pode proporcionar melhorias antes não tão fáceis de se conseguir. Esse “bom uso” não se trata apenas de fotografias, frases de efeito, fatos pouco analisados, mas sim, discussões concretas e trocas de experiências que podem realmente trazer melhorias e crescimento para Ipuã.
O comércio precisa disso, Ipuã ainda mais, e com isso todos nós, moradores dessa terra, sairemos ganhando. 

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