Com a chegada
do final de ano, a correria com notas, provas de recuperação, entrega de médias
finais, trabalhos e tudo mais que envolvem a conclusão do ano letivo, nos leva
a ter períodos trabalhosos. Hoje, por não ser diferente, fui obrigado a me
deslocar até a vizinha São Joaquim da Barra por duas vezes, por conta de tais
obrigações. Pela manhã, participei de alguns conselhos de classe que, embora
não muito demorados, acabam por tomando conta de todo aquele período do dia. Já
a noite, voltei a mesma escola para a organização de algumas provas, alguns
assuntos pendentes e claro, uma pequena, porém mais que agradável
confraternização com alguns amigos de trabalho.
Optando por
não viajar sozinho, fui acompanhado de minha namorada, saindo de nossa cidade
por volta das dezenove horas, enfrentando mesmo assim, apesar do horário, um
calor quase que insuportável.
Ao encerrar
minhas obrigações em tal escola, minha namorada e eu resolvemos por sair em São
Joaquim da Barra para um pequeno passeio típico de fim de noite.
Para nossa
surpresa, a cidade estava muito movimentada. Vagas para estacionar eram
raridades para os muitos carros que transitavam por aquelas ruas do centro,
todas as portas de comércio abertas e a praça central, obviamente, cheia. Além
do mais, os enfeites de Natal abrilhantavam as árvores e os comércios
ambulantes completavam o resto, deixando aquela uma noite mais movimentada do
que os dias comuns de comércio na nossa vizinha São Joaquim.
O comércio de
lá é realmente uma referência na região. Mais que isso, a organização nessa
época é algo a se espelhar, onde a grande maioria das lojas adotam um horário
especial ficando abertas até mais tarde, podendo atender a todos aqueles que
não possuem um tempo hábil durante o dia e que já começam a se preparar para as
festividades do fim de ano.
E não pensem
que não havia movimento nas lojas. Eu não vi uma loja sequer sem que houvessem
pessoas, mesmo que parada em frente as vitrines, mostrando assim que quando bem
feito, as coisas conseguem fluir de uma maneira que agrada a todos. Olhando
para todo aquele movimento, até me espantei ao olhar para minha namorada e
lembrar que hoje ainda é segunda feira, e um movimento daqueles raramente se vê
até mesmo em dias de maior fluxo de pessoas.
O cansaço
bateu e resolvemos então voltar para Ipuã. Após deixá-la em casa e seguir para
a minha, senti instantaneamente a diferença no “clima” em nossa cidade. A
chuva, muito esperada, começava a cair, banhando de uma maneira mais que
merecida as ruas e casas, gerando inúmeros comentários nas redes sociais e
trazendo com ela um vento que há muito não se sentia, porém, o comércio não se
mostrava com a mesma sensação de satisfação que São Joaquim me mostrou ou então
a chuva me trouxe.
O espírito
natalino parece não banhar nossa cidade há tempos, não se vê as pessoas
respirarem esse ambiente que é tão mágico e tradicional, e pelo pouco que
percebo, não consigo ver uma mobilização maior de nossa rede comercial. Na
semana passada, ao passar em algumas lojas para compra de algumas roupas, o
proprietário de uma delas me disse que até então nada havia sido dito ou então
programado pelos comerciantes e que, se nada fosse dito, ele iria por si só,
seguir o ritmo de nossa vizinha São Joaquim.
Ao meu ver,
temos uma população crítica, em vários aspectos, pois mobilizações são vistas a
todo momento, questionando e reivindicando direitos e deveres, porém, muitas
vezes se sensibilizam por situações diversas e acabam se esquecendo de analisar
fatos que podem melhorar a situação de nossa cidade. A internet, por exemplo,
se tornou uma das maiores, senão a maior arma dos últimos tempos, e usá-la com
bons propósitos pode proporcionar melhorias antes não tão fáceis de se
conseguir. Esse “bom uso” não se trata apenas de fotografias, frases de efeito,
fatos pouco analisados, mas sim, discussões concretas e trocas de experiências que
podem realmente trazer melhorias e crescimento para Ipuã.
O comércio
precisa disso, Ipuã ainda mais, e com isso todos nós, moradores dessa terra,
sairemos ganhando.
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